A amiga das rosas


Morte líquida

Morte líquida

(Menção Honrosa no Mapa Cultural Paulista:2009/2010- fase regional)

Em algum lugar do espaço, vivem hoje duas almas gêmeas unidas pelo amor e pela dor. Ambas banhadas em água.

Ele. Um rosto coberto de rugas contadoras de histórias. Seu nome era Pedro. Pedro Malaquias. Nascera no sertão baiano há muitas secas. Viera para São Paulo em 1976 num ônibus apinhado de gente humilde e sonhadora como ele. Por muito tempo ainda seria  capaz de se lembrar dos movimentos sinuoso da estrada que escondia em cada curva um mistério que o futuro aguardava. Logo que chegou, foi morar com um amigo na periferia e, depois de algum tempo, conseguiu emprego na construção civil.

E foi num desses dias de trabalho que ele a vira passar pela primeira vez. Caía uma chuva fina e os cabelos dela estavam grudados no rosto da mesma maneira que a saia fina grudava-lhe no corpo. Ele não a achou imediatamente bonita. Conclui desgostoso que ela tinha os quadris muito largos e, embora seus companheiros de jornada assobiassem admirando-a, Pedro voltou com desdém sua atenção para a marmita de arroz com feijão.

Ela. Os longos cabelos que anos mais tarde seriam amarrados num coque, naquele começo de tarde caíam retos emoldurando um bonito par de olhos castanhos escuros. Helena Pivo era o seu nome. O Pivo era mesmo da mãe, pois aquela a tivera solteira. A única informação que tinha a esse respeito era a de que o pai fora patrão e a mãe a empregada. Mas isso havia acontecido já há tanto tempo que nem fazia mais diferença. Ela passar a infância correndo pelas ruas da periferia de casa em casa enquanto ajudava a mãe a recolher roupas dos vizinhos para lavar. Nas horas de folga fazia barquinhos de papel que colocavam para navegar nas enxurradas que, em sua imaginação era um grande oceano.

Mas o tempo passou rápido e a enxurrada levou embora todos os sonhos. A mãe casou-se com um encanador quando Helena tinha treze anos Quatro anos depois ela ainda percorria o mesmo caminho a fim de levar o almoço ao padrasto lá no prédio onde, depois de pronto, gente como eles jamais poderiam pôr os pés. E foi numa dessas tardes que ela viu Pedro pela primeira vez. Enquanto andava rapidamente por causa da chuva, ela pôde ver que ele almoçava sentado no cimento frio. E o achou demasiadamente magro.

Os meses se passaram e vieram as Festas Juninas. A festa da rua cinco já havia se tornado tradição. Todos os moradores se envolviam trazendo doces, salgados ou apenas a alegria. Pedro e Helena também estavam lá. Ela porque era moradora. Ele porque fora convidado pelo primo do sobrinho de um amigo.

Os convidados se divertiam enquanto a musica recebi o coro dos risos das crianças. Porém uma chuva fina e intermitente os obrigou a se protegerem debaixo das barraquinhas.  Por capricho ou não do destino tanto Pedro quanto Helena se esconderam sob a barraquinha do bolinho de chuva.  E foi a primeira vez que seus olhos se encontraram. Dessa vez ele a achou bonita e ela não o desprezou por ser tão magro.

Já passava da uma da manhã quando ele a convidou para dançar. Garoava ainda, mas o pessoal da festa já se encontrava tão embriagado que confundia o vinho quente com a água da chuva, assim como Pedro e Helena confundiram o gosto de saliva com a garoa quando se beijaram pela primeira vez.

Casaram-se seis meses depois num dia nublado na Igreja de São Pedro. Ela de vestido branco alugado e ele de gravata marrom emprestada.

A partir daí foram cinquenta  anos de amores, brigas e amores de novo. Ele, com o tempo, tornou-se mestre de obras. Ela seguiu os passos da mãe lavando e passando para fora. As mãos sempre enrugadas pelo excesso de contato com a água.

O primeiro filho morrera ao nascer. Causa da morte: afogara-se com o líquido amniótico. Já o segundo crescera forte e tornara-se um homem de bem. Decidiu ser marinheiro e foi embora assim que pôde. Seu sonho era viver no mar.

Então, por muito tempo foram só os dois. Corpos eretos envergando juntos; mãos que, aos poucos perderam a agilidade. Duas almas tornando-se uma e seguindo assim até serem separadas por aquela dor nas costas seguidas de arrepios que eram menos de amor do que de dor.

Era dezembro. Ele estava parado na janela olhando a chuva cair quando mais uma vez a ouviu tossir. Caminhou vagarosamente até a cama e pegou suas delicadas e enrugadas mãos.

Elas estavam quentes. Mais do que deveriam estar.

A boca miúda tentou falar, mas a voz não saía.

Queria água. Pedro deu-lhe água.

Queria abrir os olhos, mas eles estavam pesados como chumbo.

“Ah como eu queria poder abrir os olhos para você, meu amor”

Delicadamente Pedro passou a mão pelo rosto magro da esposa doente e o esboço de um sorriso apareceu em seus lábios secos. Quão estranha é a morte que, por vezes coloca um sorriso nos lábios de um moribundo.

Ele sabia que ela estava  partindo, mas como era difícil já viver sem ela. E que medo enorme ela tinha de morrer sem ele.

Fora difícil a luta contra os pneumococos. Eles eram minúsculos, mas eram tão mais...

Vieram devagar e, como águas tomaram todo o espaço, mesmo quando eles tentaram fechar todas as janelas.

Como os pingos da chuva que diminuíam, o coração de Helena tornava-se mais e mais lento. E de repente ela se foi sem que ele pudesse segui-la apesar de querer tanto.

As lágrimas embaçavam os olhos de Pedro quando ele pegou o corpo magro e caminhou com ele até o jardim. A chuva tornara-se salgada em seus lábios trêmulos.

Foi então que ele colocou o corpo magro na grama e, deitando-se ao lado da amada, ficou ali esperando.

Olhou a sua volta e não viu, mas as janelas. Somente a chuva caindo, caindo.

A morte é líquida.

 

 

 

 

 

 



Escrito por sara.tt às 20h51
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Ela

Ela

é uma dor que dói pingando todo mês

e que me faz chorar outra vez



Escrito por sara.tt às 00h30
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Hoje

 

HOJE

Sair de mim para buscar outro caminho

e me encontrar

Soltar o leme do barco e deixá-lo seguir à deriva

só pra variar.



Escrito por sara.tt às 21h44
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felicidade

 

 

Hoje eu tive um sonho bom

Ainda bem que eu não dormia



Escrito por sara.tt às 22h46
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cansaço

Hoje tive um sonho ruim

pena que eu  estava acordada



Escrito por sara.tt às 21h55
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Te amo, te quero, te espero

 

 

Mas é claro que te amo

Durante a noite e durante o dia te amo

Quando chove ou quando venta te amo

Quando saio ou quando chego te amo

Quando sonho ou quando acordo eu muito te amo

 

Mas é claro que eu te quero

Sobre a cama ou sobre o feno te quero

No tapete da sala ou na área da casa te quero

Sobre o chão e no telhado eu te quero

Quando sonho ou quando acordo eu muito te quero

 

Mas é claro que eu te espero

No portão ou na rua te espero

Chorando ou sorrindo eu te espero

Nascendo ou morrendo eu te espero

Quando sonho ou quando acordo eu muito te espero

 

Te amo

Te quero

Te espero

 

“Tanto que desespero, feito Roma, feito Nero, até você me perceber”



Escrito por sara.tt às 22h29
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Madrugada

Madrugada adentro

Dentro

Do coração

Escuro no céu

Escuro na boca

Saudade do dia que não veio

Medo do dia que vem


Só um vazio no peito

Um não sei o quê na alma

Vontade de não estar mais

Aqui

Nem ali


Vontade de não mais querer

de não mais ter

Vontade de não mais ser

Madrugada adentro



Escrito por sara.tt às 21h32
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O tempo passa


Às vezes rápido demais.

Mas a gente tem a teimosa ilusão de que sempre vai ter tempo.

Tempo pro amor, tempo pros amigos, tempo pra família, tempo pro cachorro, tempo pro vizinho...


Tempo...

Só que o tempo é areia fina que o vento leva

E de repente quando a gente acorda e diz que agora o tem ele já foi.

De repente não estão mais ali nem o amor, nem os amigos, nem a família, nem o cachorro, nem o vizinho.

Outro dia vi na televisão alguém dizendo que o ser humano tem a ilusão de ser eterno. Boba ilusão mesmo. Se parassemos para pensar nas pessoas e na gente mesmo da maneira como realmente somos, ou seja, efêmeros, nós arrumaríamos muito mais tempo para aquilo que realmente importante: ficar mais dez minutos com o nosso amor, jogar conversa fora com os amigos, discutir o final da novela com nossos pais, afagar a cabeça do cachorro, sentar na calçada com o vizinho.

Tempo...

Será que ele existe?



Escrito por sara.tt às 21h23
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Desejo

 

Desejo

 

Queria trazer

                   de volta

Seu olhar para

                    minha alma

Sua pele para

                    minha boca

Entrar no túnel

                    do seu peito

Pulsar com seu

                     coração

E encontrar de novo

                     o caminho



Escrito por sara.tt às 00h53
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Escuro

 

 

Escuro

 

Chegar  para lá  essa dor

Essa dor de morrer de amor

porque já não dá mais pra respirar

Dói aqui dentro

Bem aqui onde pulsa a vida

Aqui onde não há mais vida

 



Escrito por sara.tt às 00h44
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Você

 

Saí de casa a te procurar

 E muitas vezes na lua enxerguei o seu olhar

Mas era pura alucinação

 Da minha dor

 



Escrito por sara.tt às 22h38
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"Ah, a ilusão"

Autor: Oscar Wilde

Buscar na Web "Oscar Wilde"

"A ilusão é o primeiro de todos os prazeres"



Categoria: Citação
Escrito por sara.tt às 19h21
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Ilusão

 

Levei um tempo pra ver

Meus olhos no espelho de minha alma

Levei um tempo pra ter calma

 

Por isso corri demais

 

E chorei no meio da estrada

Achando que já havia chegado ao fim.

 



Escrito por sara.tt às 19h14
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"ah! a inconstância"

Autor: Jonathan Swift

Buscar na Web " Jonathan Swift"

"Só há uma coisa constante neste mundo: a inconstância." (



Categoria: Citação
Escrito por sara.tt às 20h01
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Inconstância II

 

Inconstância II

 

Ás vezes eu estou em mim

como a gota está na chuva

ou o verde no jardim

 

outras vezes sou de aço

chave, cadeia, cansaço

e, como um novelo, embaraço

 

queria ser sempre chuva

queria ser sempre flor

 

e me abrir para o amor

 

queria ser sempre aço

e assim como um cadeado

 

poder me esconder da dor

 



Escrito por sara.tt às 19h59
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"ah! a morte"

Autor: Benjamin Franklin

Buscar na Web "Benjamin Franklin"

Nesse mundo, nada é certo alem da morte e dos impostos."



Categoria: Citação
Escrito por sara.tt às 18h57
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O dia em anunciei a morte

 

 

Era ainda muito cedo quando o telefone tocou.

Aquele barulhinho foi adentrando em minha mente e provocou confusão nas cenas do meu sonho. De repente, da sua boca, Alberto, o que saíam não eram mais palavras, mas um som estranho parecido com o de uma campainha. Ainda no sonho eu ia pedir-lhe que falasse direito, mas alguma coisa me fez olhar para a porta. Alguém chegara e apertava insistentemente o botão. Eu me levantei e caminhei em direção à porta enquanto dizia “Já vai. Já vai.” Mas a pessoa do outro lado parecia não ouvir e continuava com aquele gesto irritante. E o barulho foi ficando cada vez mais alto e mais alto. Foi aí que eu acordei e vi que o barulho não era de campainha de porta, mas de campainha de telefone.

 Eu me levantei sonolenta e, meio cambaleando, alcancei o aparelho com as mãos ainda trêmulas pelo susto. Mal disse alô e do outro lado da linha uma voz pediu que eu chamasse pela Dirce. Por um instante eu ainda fiquei meio confusa. . Não me lembrei de imediato da minha vizinha da frente. Não me culpe, Alberto. Afinal, o que tem a ver a Dirce com o nosso jantar à luz de velas? E não se preocupe. Levei apenas alguns segundos para voltar à realidade. Mesmo porque a voz não deu muito tempo para eu curtir minha preguiça mental. Sem mais delongas, foi pedindo que eu desse um recado urgente para a vizinha. Pediu que eu dissesse a ela que seu irmão de Barretos havia vindo a óbito.

Foi assim mesmo que a voz disse, Alberto: “Diga a ela que seu irmão veio a óbito.” E disse isso assim, de uma maneira simples como se dissesse: “Diga a ela que eu a estou convidando para um chá.”

Você pode imaginar o meu estado de estupefação. Eu, que só vi até hoje uma pessoa morta em toda a minha vida, de repente teria que anunciar para a vizinha, num começo de dia, que o irmão dele havia morrido.

Enquanto atravessava a rua, mil pensamentos invadiram minha mente. Eu que, modéstia à parte, sempre tive facilidade com as palavras, não conseguia formular uma frase que pudesse comunicar à vizinha, a morte de seu irmão de uma maneira não muito dolorosa. Você pode até falar mal de mim, Alberto, mas até na piada do funcionário da fábrica eu pensei. Aquela em que o cara chega para anunciar a morte da mãe do amigo e diz; “Quem tem mãe, dê um passo à frente. Você não, fulano, porque a sua mãe acaba de morrer.”

Isso não é nada engraçado, eu sei. Mas a gente não controla a mente da gente. Aliás, a gente não controla nem a nossa boca. E digo isso, Alberto, porque assim que a vizinha respondeu ao meu chamado e veio caminhando em direção ao portão, a única frase que me veio à boca foi:

“Dirce, seu irmão acaba de vir à óbito.”

E disse isso assim, como quem diz: “Dirce, você vai receber a visita de sua prima de Barretos”

É que a morte, Alberto, não pode ser de outro jeito anunciada. Por si só ela se anuncia. E não há nada que possamos dizer a não ser observar as lágrimas da vizinha.



Escrito por sara.tt às 18h56
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"tempestade"

Autor: cleidinis

Buscar na Web "cleidinis"

"E de repente a tempestade invade nossa casa e transforma toda uma vida em recomeço"



Categoria: Citação
Escrito por sara.tt às 17h48
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Depois da tempestade

 

Ao contrário do que costumava fazer, Pedro levantou-se tarde naquele dia de setembro. Era meio da semana e caía uma chuva fina e intermitente desde a noite anterior. Apesar da hora, a casa estava escura e um vento meio frio teimava em soprar na pequena cidade em que ele vivia.

Sem muita pressa ele acendeu a luz do quarto e dirigiu-se ao pequeno banheiro de piso azul-escuro.

Lavou o rosto, mas não o viu.

Voltou-se para o quarto e tirou do armário a pequena mala preta que há muito ganhara do seu avô.

Não precisaria de muita coisa. O principal levava com ele. No corpo. No coração. Na alma.

Não demorou a encher a mala. Uma, duas, três camisas. Todas elas em suaves tons de azul, foram colocadas dentro dela junto com outras peças já escolhidas.

Então Pedro se vestiu, calçou os velhos e descorados sapatos marrons, deu uma volta pelo quarto e saiu sem olhar para trás.

Não correu quando passou pelo corredor. Caminhou vagarosamente porque seus pés se despediam de cada taco de madeira.

Era como se dissessem: foi muito bom caminhar por aqui todos esses anos.

Um vento forte bateu a janela quando Pedro alcançou a cozinha e o barulho provocado pela batida se confundiu com o chiado da panela de pressão.

Na pia, de costas para ele, estava a esposa.

Tão bonita! - pensou ele olhando-a como que hipnotizado.

Ao sentir a presença do marido, ela voltou-se para a porta e lentamente passou os olhos pela figura do marido. Começou pelos pés e foi subindo parando, por alguns segundos, o olhar na pequena mala.

Pedro continuava imóvel. O vento ainda batendo na janela. O chiado da panela de pressão.

Os olhos dos dois se encontraram no momento em que um raio riscou o céu e então eles puderam ver um ao outro com mais clareza e compreenderam que era hora de mudar, apesar de quererem tanto continuar como estavam.

Ela se aproximou do marido e deu-lhe um abraço apertado. Ele correspondeu de imediato e ali, no chão da cozinha, eles se amaram como há muito não faziam. Talvez até com mais amor, pois cada pedaço da pele de ambos sabia:

Depois da tempestade, eles não se pertenceriam mais.



Escrito por sara.tt às 17h46
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Bom dia

 

 

Seis horas da manhã.

Ele se levanta e vai cambaleando até o banheiro.

Ela abre os olhos sem saber a princípio onde está.

Ele encosta o corpo magro na pia e lava o rosto.

Ela olha o tempo pela janela e decide que vai chover.

Ele escova os dentes como se estivesse batendo ponto.

Ela se espreguiça e senta-se na cama fria.

Ele abre o chuveiro e deixa a água fria lhe despertar a mente quente.

Ela dirige-se tortuosa até a pia do banheiro.

Ele passa o sabonete pelo corpo tentando espantar os sonhos ruins.

Ela caminha até a cozinha e coloca a água do café para ferver.

Ele sai do chuveiro e protege os pensamentos na toalha.

Ela fuma um cigarro enquanto conta as bolinhas do vapor que sai da caneca.

Ele coloca o paletó de todos os dias por cima da camisa de ontem.

Ela joga o restante do cigarro fora e arruma metade da mesa.

Ele aparece na cozinha e, sem nada dizer, senta-se na cabeceira da mesa.

Ela, sem nada dizer, coloca-lhe café na xícara.

Ele toma um gole do líquido negro e corta com as mãos um pedaço do pão dormido.

Ela acende outro cigarro e liga o rádio.

Ele pega o jornal e lê o horóscopo do dia.

Ela canta uma música animada enquanto prepara uma torrada com requeijão.

Ele olha para o relógio e se levanta apressado.

Ela canta uma música triste enquanto se serve de café com leite.

Ele escova os dentes como se estivesse batendo ponto.

Ela canta uma música triste enquanto seu café com leite esfria.

Ele se irrita por não encontrar as chaves do carro.

Ela acende o terceiro cigarro e observa a fumaça dançar no ar.

Ele queria falar.

Ela queria falar.

Mas tudo o que podem dizer um ao outro é bom dia.



Escrito por sara.tt às 19h31
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BRASIL, Sudeste, PORTO FERREIRA, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Livros, Viagens
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